Jader Rubini
a vida, o universo e tudo mais.
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2012-02-01
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2012-01-31
Atos falhos
Acho que te devo um pedido de desculpas. É que nem eu mesmo gosto muito de mim, e fico meio assustado quando alguém me diz que consegue isso. É que você parecia minha amiga, só minha amiga. Você fala como uma amiga. Me cumprimenta como amiga. Me telefona e me convida para cinemas como uma amiga. Seu riso é de amiga. O seu abraço é de amiga. Mas eu devia ter desconfiado, seus cabelos sempre tiveram cheiro de namorada. Existe algo errado numa amizade quando o resto do mundo parece chato e nós os únicos legais.
Mas, conhecer você e ser seu parceiro de pipoca foi bom. Bom como ler uma letra bonita sem poder escutar a incrível música por trás dela. Como planejar um final de semana na praia e ter dois pneus furados no meio da estrada. Descobrir uma ruazinha bonita no seu bairro e ser estuprado nela. Você é a chuva no meu piquenique. Você é o show do Weezer que não consigo ver porque sou muito baixo. Você é a deliciosa torta de chocolate e limão que para comer eu preciso estar presente no aniversário de 70 anos da minha tia Rosalina. Sou Jennifer Aniston tentando converter um gay em “A Razão do Meu Afeto”. Você é minha pipa enrolada nos fios de alta-tensão. Você é meu peixe novo que morreu na primeira semana. Você é o irmão gêmeo malvado que eu descobri a existência. Você é o game “The Beatles: Rock Band” para XBox que custa quase dois mil dinheiros. Você é como uma baleia em extinção querendo viver na minha piscina de mil litros. É como se eu finalmente aprendesse a voar e você fosse a Kriptonita. Eu sou o país independente que você não deixa em paz. Você é o braço que eu quebrei tentando catar as goiabas do vô Agenor. Você é o Barcelona vs Real Madrid que não passa na minha tevê. Sou Midas louco pra te beijar a boca sabendo que tudo que ponho a mão vira ouro. É como abrir minha lata de refrigerante e descobrir um camondongo morto boiando dentro. É como criar coragem pra subir no palco cantar “Love Will Tear Us Apart” e lá de cima enxergar você no guichê, pagando pra ir embora.
Sei que andei falando coisas sem pensar. Me esforcei pra deixar quieto, ficar de boca calada, não fazer merda. Quase deu certo. Você sabe, sou meio blá. Olha, sei que andei falhando todas essas vezes, nos últimos meses. Em minha defesa, não era bem eu. Só estava tentando ser uma outra coisa, sei lá, algo que pudesse merecer você. Como eu poderia adivinhar que alguém como você gostaria de mim, assim desse jeito atrapalhado que eu sou? Vamos ser sinceros, pra conquistar você tinha de ser de rali. Contando só a arrancada eu não teria a menor chance.
Um dia, eu sei, você vai entender os meus motivos. E talvez eu os entenda também. Você estava meio etílica, mas sei que foi honesta, pelo menos na hora em que disse aqueles troços. Não sei o nome disso que estamos sentindo um pelo outro e também não me importa. Pode ser o ápice ou o precipício, e tudo bem. E também não sei se teremos habilidade para cultivar isso por três semanas ou por três décadas inteiras. Só sei que agora estou interessado em saber como será o próximo passo.Gabito Nunes
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2012-01-30
Charlie Brown - O Que É Amor? (by soth37)
Source: youtube.com
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Às vezes o passado resolve aparecer, tocar a campainha e sair correndo. Outras vezes, ele fica ali, da janela, te espreitando, e quando você olha, ele já não está mais lá. É como se de alguma forma ele quisesse te mostrar que ainda está ali, mas que continua sendo só o que se tornou: passado, um distante e impossível passado.
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Li por aí que “mentirosos compulsivos inventam histórias para se sentirem aceitos e amados”. Descobri porque comecei a escrever e não consigo mais parar.
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Frequentemente eu me flagro apaixonado pela história das pessoas, mais do que pelas próprias pessoas.
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Source: entre-seus-rins
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I say the right thing
But act the wrong way
I like it right here
But I cannot stayThe Strokes - Hard To Explain (by thestrokesVEVO)
Source: youtube.com
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2012-01-29
– Nossa, quanto tempo! Que bom te ver! Como vão as coisas?
– Tempão mesmo, né? Estou ótimo, graças a Deus. E você?
– Naquela luta de sempre, mas as coisas estão se acertando.
– Lutas a gente sempre tem. Só não pode se dar por vencido.
– É… Mas e aí, pelo visto você não volta pra lá mesmo, né? Veio pra ficar?
– Não, não volto mesmo. Pelo menos não tão cedo. Tô com uns projetos legais por aqui e quero fazer dar certo.
– Entendi… E o coração, tem saído com alguém?
– haha Não, não. Tô no meu estado natural de stand by. Andei saindo com algumas pessoas, mas percebi que só estava enganando a elas e a mim mesmo. Aí achei melhor sossegar e ficar na minha. E você, tem visto alguém?
– Tenho sim. Faz um tempo já.
– Que bacana! Fico feliz por você. E ele tá por aqui?
– Não… Na verdade, ele mora fora. E isso torna tudo um pouco complicado.
– Ah, quê isso… A distância não é empecilho pra nada, o importante é o que a gente sente. A gente sabe bem disso, né.
– É, mas nesse caso é diferente…
– Não fique assim…
– Eu às vezes sinto sua falta.
– Wow! Agora você me surpreendeu. Eu jamais iria imagin…
– Não começa. Deixa eu falar. Com você era diferente. Nós nos conhecemos naquela condição, então eu sempre te vi assim, e eu confiava em você. Nós tivemos nossos desentendimentos depois, mas eu nunca deixei de confiar em você. Agora o cenário é completamente diferente.
– É interessante você dizer isso, porque às vezes eu ainda penso em você. E me lamento por não termos conseguido fazer funcionar.
– Você acha que ainda podemos fazer funcionar?
– Só existe um jeito de saber.
– Você acha que seja uma boa ideia?
– Vamos ter que descobrir.
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2012-01-28
O que não gosto da internet, redes sociais: Com o tempo, a gente passa a acessar compulsivamente, esperando uma atualização que também nos atualize, e essa informação nunca chega, previamente condicionada a ser sempre a próxima, a que está no por vir. Inibindo toda nossa capacidade de agir, ponderar e planejar o presente sob fatos concretos. Nos restando inércia, passividade e a espera de um conteúdo milagroso que venha mudar radicalmente a nossa vida. Conteúdo esse jamais produzido por nós, e sim, pelo outro, aquele que posta, que seguimos, que publica. Um vício como tantos outros, que nos afasta do nosso centro e nos conduz a euforia, ansiedade e depressão.
— Adriano Monteiro (via joganoventilador)
Source: joganoventilador






